Quando eu ouvia rádio com o pai, em casa, mais ou menos pela mesma época daquele time de garotos, havia uma canção de um cantor/ compositor que era considerado brega, como tantos outros da época. E eu adorava as canções dele, que falavam de paixões por meninas do subúrbio, da calçada ou da janela, outra em cadeira de rodas, uma professora, uma desconhecida. É difícil imaginar que Fernando Mendes cantasse temas que assumiriam destaque na agenda “politicamente correta” dos últimos 20 anos. Mas assim era. Uma das suas canções, que ainda me toca, chama-se Sorte tem quem acredita nela. Muitas vezes disse aos meus pais, sempre orgulhosos das minhas realizações, que eu era um privilegiado. Ambos se consternavam, e sempre diziam que eu havia construído uma trajetória e que o mérito era meu. Acho que sempre acreditei nas possibilidades que a fortuna me ofereceu. Mas isso não me impede de me sentir privilegiado por ter tido trajetória que tive até aqui. Afinal, muitos jovens de então, como eu, n