Há fatos reais capazes de superar qualquer narrativa ficcional. É o caso do personagem do presente estudo, cuja trajetória de vida parece ter saída das páginas de uma novela do realismo mágico como as de Gabriel Garcia Marquez. No entanto, Antônio Dias Quaresma (1681-1756), baiano por filiação geográfica e dotado de espírito absolutamente irrequieto, não é fruto da imaginação de nenhum romancista. Ele foi real, existiu em concreto e via-se como um escolhido para uma grande missão. Autodidata, leitor e escritor compulsivo, meteu-se muito cedo no universo dos livros ascéticos e místicos, escritos que o levaram a um universo repleto de visões, arroubos espirituais e presságios. Após andarilhar pelo Brasil e ter vivido em São Paulo, Santos e Minas Gerais, local onde constituiu família e bens, se converteu radicalmente, momento que deixou tudo para trás indo parar no Velho Mundo em busca de seus presságios. Em peregrinação à sagrada Casa de Loreto, na Itália, em 1732, assomou-lhe ao espírit