Trinta anos após a primeira publicação, é possível afirmar: com Morte no Paraíso, Alberto Dines conseguiu escrever uma obra única, inigualável e indispensável, um daqueles livros que ilumina uma vida – a do biografado – e justifica outra, a do seu autor. Verdadeiro guardião do legado de Stephen Zweig, o jornalista Alberto Dines traça, nesta que é a quarta edição revista e ampliada do livro, a trajetória daquele que foi um dos autores internacionais de maior sucesso na primeira metade do século XXI, a partir de farto material bibliográfico, dados inéditos, detalhes revistos e nova iconografia. Ao mesmo tempo, faz um panorama da Viena do período, da ascensão de Hitler e o horror da Segunda Guerra Mundial, do drama dos refugiados e do Brasil na Era Vargas. Trabalho de uma vida inteira, Morte no Paraíso começou a germinar na cabeça de Alberto Dines aos oito anos de idade ? quando Stefan Zweig visitou a Escola Popular Israelita Brasileira Scholen Aleichem em que ele estudava, em Vila Isabel ?, e só se encerrou [será mesmo?] em 2012, quando Dines já festejou seu octogésimo aniversário. Um fértil relacionamento de mais de setenta anos que apresenta uma curiosidade invulgar: ninguém conviveu com Stefan Zweig por mais tempo que Alberto Dines, nem mesmo o próprio Zweig, falecido logo após completar 60 anos de idade. Seria fácil classificar essa devoção extraordinária de “obsessiva”, mas isso seria tão simplista quanto equivocado tendo em vista o fato de que a dedicação de Dines ao seu biografado não se afasta em momento algum da objetividade. Dines não escamoteia nem atenua nenhum dos defeitos e nenhuma das limitações de Stefan Zweig, de uma forma tal que em determinado momento o leitor se sente tentado a discordar dele em relação ao talento literário de Zweig, que ele parece considerar com rigor excessivo ao lhe negar a condição de “gigante da literatura”. Mas somos levados a perdoar-lhe quando ele afirma que “escritores considerados ‘maiores’ não resistem às releituras; Zweig tido por alguns como ‘menor’, cresce com elas. Tem sempre algo de novo a dizer às novas gerações”. Dines biografou um biógrafo que até hoje figura nas listas europeias dos melhores da literatura, que marcou um estilo de escrita e de vida – usava ternos brancos, sapato de bico fino, chapéu gelô ou Panamá. Que foi amigo de Freud, Romain Rolland, James Joyce e Thomas Mann. Dines captou um pedaço da história capaz de explicar o mundo de hoje, que Zweig não esperou para ver.