Ao longo de seis décadas, Elton John foi, principalmente, compositor talentoso,\r\nintérprete brilhante e astro da indústria fonográfica, com mais de 200\r\nmilhões de discos vendidos. Foi também workaholic, viciado em drogas, alcoólatra,\r\nmultimilionário cujo consumismo se tornou lendário, heterossexual,\r\nhomossexual, combatente empenhado contra a aids, humanista solidário\r\nde primeira linha e amigo extremamente generoso. Apesar do sucesso crescente,\r\npermaneceu um homem infeliz, prejudicado por baixa autoestima e a\r\nincerteza sobre sua sexualidade – que se arrastava desde sua infância. Essas\r\nangústias resultaram em autoaversão que, na década de 1970, combinada\r\ncom dependência de cocaína e álcool levaram-no a decadência que durou\r\ndez anos. A morte do jovem Ryan White em 1990, aos 18 anos, vítima de\r\naids contraída em transfusão de sangue, mostrou a Elton John a insanidade\r\nde seu estilo de vida. Os anos seguintes testemunharam sua recuperação\r\npessoal e artística, criando músicas que relembravam os “anos dourados” e\r\nconquistando novo público, como com seu trabalho para a trilha sonora de\r\nO rei leão. Parece que, finalmente, Elton domou seus demônios e alcançou\r\nalguma paz de espírito.